segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um Final Triste

Milhares aguardam velório de Eloá em Santo André

SÃO PAULO - Pelo menos duas mil pessoas estão no cemitério Jardim Santo André para o velório de Eloá Cristina Pimentel de Silva, 15 anos. Depois de uma semana acompanhando o drama de Eloá, refém do ex-namorado Lindemberg Alves, elas lotam o cemitério para dar o último adeus à garota. Alguns dos que estão na fila eram amigos de escola da adolescente. Eles querem homenageá-la com música e levaram um botão de rosa. Eles também fazem orações. Outras pessoas souberam do caso pela tevê e se sentem próximos à família. Boa parte enfrentou mais de duas horas de ônibus, trem ou metrô para acompanhar o velório.
Eloá está num caixão branco, que não está lacrado, e a adolescente tem uma faixa branca na cabeça. Em frente à sala onde o corpo será velado, há uma aglomeração de curiosos e jornalistas. Por enquanto, nenhum tumulto foi registrado.
A primeira da fila é a aposentada Maria José Carneiro da Silva. Mãe de cinco filhos e três netos, ela disse que quer conversar com a família de Eloá e ajudar a confortá-la. A aposentada chegou a rezar para que a tragédia fosse evitada.
- Fiquei acompanhando o caso todo pela televisão e fiz um pedido a Deus para que desse tudo certo. Infelizmente, a menina morreu. Fiz outros dois pedidos, que ela descansasse em paz e que fosse enterrada aqui perto de casa - contou a aposentada, que pretende, de agora em diante, fazer visitas freqüentes ao túmulo da adolescente.
A dona-de-casa Aparecida Morrine, de 61 anos, gastou quase três horas para chegar ao cemitério. Saiu de sua casa em Osasco, na Grande São Paulo, às 11h, e só chegou 1h45m. Pegou um ônibus e teve de fazer duas baldeações de trem.
- Vim por amor à Eloá e à família dela. Viemos prestar solidariedade. A gente sofreu muito na semana passada vendo aquilo na televisão e pretende pelo menos confortar de alguma forma a família - afirma Aparecida.
O adolescente Jean Aparecido de Oliveira, de 17 anos, saiu de Sapopemba, na zona leste da capital, às 7h da manhã.
- Senti uma dor como se fosse da minha família, era como se eu tivesse perdido uma irmã que nem conheço - disse Jean, que trabalha como funileiro e faltou no serviço.
A auxiliar de limpeza Edileusa Barbosa Bispo de Souza, 35 anos, também chegou cedo e aguardou por pelo menos cinco horas a chegada do corpo para o velório.
- Vim até aqui porque tenho também uma filha de 15 anos e me coloquei no lugar da mãe da Eloá. É realmente muito triste o que aconteceu. Ninguém tem direito de tirar a vida de ninguém - disse.
No cemitério, mulheres com placas da Associação de Mulheres de Santo André levam faixas de protesto: "Basta de violência contra as mulheres" e "Quem ama não mata" são algumas das inscrições. O grupo é formado até agora por cerca de 20 pessoas.
http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/10/20/milhares_aguardam_velorio_de_eloa_em_santo_andre-586024138.asp

Um comentário:

Sally Barroso disse...

Nosso povo é solidário, pena que se esquece com facilidade, como foi o caso do menino João, da Isabella NArdoni e muitos outros que tiveram suas vidas findadas de forma trágica. Boa semana.